Sistema braile foi tão importante como a imprensa de Gutenberg
Os festejos já começaram no Ceará. Mas, o bicentenário de nascimento do inventor francês Louis Braille (1809-1852) precisa ser comemorado, além da comunidade dos deficientes visuais, também pelas pessoas em geral, tendo ou não parentes e amigos sem o sentido da visão. A criação da anagliptografia ou sistema braile foi tão importante para os beneficiados quanto a imprensa de tipos móveis, estabelecida pelo alemão Johann Gutenberg (1398-1468), revolucionou a escrita e a leitura para os que vêem, então praticamente ainda dependentes de copistas. Muitos deficientes visuais já foram e são admitidos no mercado de trabalho, no qual absorvem tecnologias mais avançadas, incluindo computadores com voz orientadora. Entretanto, é com o sistema braile, de leitura na ponta dos dedos, que essas pessoas começam a absorver, afora conhecimentos orais, mais informações do mundo em geral. De acordo com a coordenadora da Associação dos Cegos do Ceará, Elinalva Alves, cerca de 14% da população do Estado é portadora da falta de visão ou tem baixa deficiência de olhar. Entretanto, no Brasil e no resto do mundo, formam uma faixa demográfica na qual podem ser exemplificados talentos surpreendentes. Afirma-se que o deficiente visual aprimora os outros sentidos, a exemplo do tato, para compensar aquilo que deixa de enxergar. Existem casos de pintores e desenhistas cegos, cujo andamento dos trabalhos pode ser monitorado com a ponta dos dedos. Assim como há exemplos até de fotógrafos deficientes visuais, cujos resultados nas imagens expressivas muitas vezes são obtidos depois de se comunicarem com pessoas que vêem. Em outras artes, a exemplo da música, a competência, igualmente, é inegável. Outra virtude da categoria está na capacidade de mobilização. A maioria reivindica oportunidades no mercado de trabalho por méritos próprios, sem paternalismos e assistencialismos. Daí, muitos cumprirem os diversos ciclos escolares e colarem grau em universidades. Alguns engajam-se na política e chegam a ministros, como já ocorreu na Grã-Bretanha. Esse milagre pode ser ressaltado desde o Primeiro ao Terceiro Mundos. Nos Estados Unidos, Helen Keller (1880-1968) nasceu cega, surda e muda. Tendo como primeira professora Ann Sullivan, tornou-se escritora e personagem famosíssima. No Egito, o cego Taha Hussein (1889-1973), educador e prosador, foi também um dos homens mais importantes daquele país no século XX. É nesse contexto, incluindo personalidades brasileiras da classe, que o legado de Braille deve ser levado em conta, já que ele acendeu a luz na escuridão.
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