Viajar pelo Brasil é uma tarefa difícil para os portadores de deficiência. Mas existem lugares onde os acessos são facilitados. Um guia reuniu roteiros onde a diversão é garantida para todos.
Chegar a uma cidade nova para quem depende de uma cadeira de rodas é sempre um desafio. “Cada vez que eu desembarco num aeroporto, eu não sei o que vou encontrar e aí começa uma aventura”, conta a autora do guia, Andrea Schwarz. O aeroporto Santos Dumont, no Rio, passa no teste. Em seguida, Andrea embarca num táxi adaptado. Na cidade, são apenas 20 carros como ele. “O dono de um Ideia percebeu que o deficiente é um público consumidor, então tem demanda para isso”, diz Andrea. E muita! Quase 30 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, segundo o último censo IBGE. Para eles, viajar pelo Brasil ainda é uma aventura arriscada. Apesar das dificuldades, andrea e o marido nunca desistiram de fazer as malas e pegar a estrada. Das viagens, surgiu a idéia de um guia turístico para pessoas com deficiência. “O guia vem com esse papel de transformação social. Ele vem também para informar as pessoas com deficiência e também quem não tem deficiência, sobre as necessidades específicas dessas pessoas”, explica Andrea.
Informação é fundamental para qualquer turista. Para uma pessoa com deficiência, então, é como se fosse o passaporte. Antes de sair de casa, é preciso saber quais serão os obstáculos no caminho e, também, conhecer as facilidades. Lugares sem barreiras, onde o acesso é para todos. A paisagem do Pão de açúcar, por exemplo, já está ao alcance de muito mais gente. São quase 400 metros de altura. Como Andrea chegou até lá? De elevador. Depois, a bordo de uma plataforma móvel. O guia "Brasil para Todos" inclui dez cidades brasileiras. Em São Paulo, a arte também pode ser apreciada por deficientes visuais. Com o catálogo da exposição em braile e um áudio-guia, Guilherme segue a trilha no chão. O passeio pela Pinacoteca do Estado acabou sendo uma boa surpresa. “É muito bom. A gente se sente incluído, a gente se sente respeitado”, comenta Guilherme. “Muitas pessoas acabam ficando em casa por não ter informação de que existem locais acessíveis”, diz autor do guia Jacques Haber. Mas para subir aos pés do Cristo Redentor, só de escada rolante. Com a ajuda do funcionário, ficou mais fácil. Num país com tantas barreiras, chegar até lá é a conquista de um direito básico: o direito ao lazer. “Sensação de que você está voando, não importa se você anda, se você não anda, você está vivendo como todo mundo”, conta Andrea. Oito mil cópias do guia serão distribuídas para instituições e pessoas portadoras de deficiência. Você também pode acessar os roteiros aqui
Jornal Nacional 10/04
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