
Quando pediram para elas esperarem do lado de fora, Ana Carolina e Ana Júlia resolveram acompanhar as sessões de fisioterapia do irmão Felipe atrás da porta. A cada 15 dias, o menino é avaliado pelas fisioterapeutas da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (Apae).
As meninas vão sempre com ele. Chegam em casa e repetem tudo o que conseguiram aprender. As duas também participam todos os meses de um grupo de irmãos de portadores de necessidades especiais.
Felipe, de 11 meses, tem síndrome de Down. Ana Carolina e Ana Júlia têm 11 e 9 anos, respectivamente, e é nelas que Heloísa Aguilera, a mãe, deposita a confiança do futuro do menino. "Elas fizeram questão de acompanhar, de contar para os amigos e que eu levasse o Felipe na escola delas", diz Heloísa.
O grupo de irmãos que as meninas freqüentam na Apae funciona desde 1984. À frente do trabalho está a assistente social Marilena Ardore, autora de um livro chamado
Tenho um Irmão Diferente...Vamos Conversar Sobre Isto?.
Acostumada a trabalhar com grupos de pais de crianças deficientes, aos poucos ela foi notando que eles traziam dúvidas sobre como tratar os outros filhos. “Eles tinham questionamentos sobre como lidar com os filhos sem deficiências, como contar para eles que o irmão precisaria de cuidados especiais”, diz Marilena.Explicar para Ana Carolina e Ana Júlia que o irmãozinho precisaria de cuidados especiais foi uma das coisas mais difíceis que Heloísa teve de fazer. “Contei no café da manhã, um dia depois de receber o exame. Eu estava emocionada e, nessa hora, a Carolina começou a chorar”, conta a mãe. “Mas elas lidaram muito bem com isso; já haviam visto na novela e tem um menino na escola delas que também tem Down”, completa.Se a relação entre irmãos já pode ser complicada normalmente, quando envolve deficiências e atenções especiais dos pais, torna-se terreno fértil para problemas que também necessitam de atenção. “Os irmãos chegam com dúvidas, ciúmes e mágoas por achar que a mãe não lhes dá atenção”, diz Marilena. O ciúmes é uma das marcas na infância.
Na adolescência, o problema se transforma em vergonha e, muitas vezes, raiva. “Além do irmão deficiente roubar a atenção dos pais, é como se ele (o irmão sem deficiência) tivesse de fazer tudo sozinho”, diz a especialista. O trabalho de Marilena se estende aos adultos.A psicóloga Alcione Aparecida Messa explica que o impacto da deficiência nos irmãos passa por sentimentos contraditórios. Em seu trabalho de mestrado, a psicóloga acompanhou a trajetória de cinco irmãos de pessoas com deficiências mentais em uma instituição que busca incluir jovens e adultos com deficiência mental na sociedade. “As pessoas não percebem, mas essa é uma população que precisa de ajuda”, diz. Alcione cita a importância da relação dos pais com os filhos em casos como esses. A orientação é fundamental para aprender a superar os problemas. “Os pais são nossos primeiros modelos e é isso que os irmãos irão buscar.”
Fonte: Ultimo Segundo
Concordo plenamente, as crianças precisam entender mais a respeito desse assunto e nada melhor que os os irmãos para aprender mais. Pois sabe-se muito bem que as crianças passam para as outras crianças de seu convivio tudo que veem e vivem.. Além de nunca se esquecer que se tiver outros filhos que não sejam especiais não se deve deixa-los de lado para dedicar-se totalmente a criança especial, pq crianças sentem e muito o afasto dos familiares...Pude perceber muito disso na AACD onde trabalhei por um ano como voluntaria e la mesmo se pede aos pais para conversarem e levarem os outros filhos para conhecerem os tratamentos do irmãozinho especial, pois estando junto e participando, a outra criança se sente importante e útil....
ResponderExcluirOi Patricia, isso realmente é verdade, não podemos esquecer que acima de tudo todas são crianças....bjos
ResponderExcluir