terça-feira, 2 de março de 2010

Portadores de deficiência vendedores e vencedores

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Deficiências não são sinônimo de incapacidade. Por isso mesmo, a cada dia aumenta a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, especialmente na área comercial.
Segundo Teresa Gama, diretora da Projeto RH, consultoria especializada em Gestão de Pessoas que também atua na seleção de pessoas com deficiência (PCDs), o mercado de trabalho está bem aquecido para estas pessoas, porque as empresas estão buscando ampliar as alternativas para inclusão, a fim de atender as exigências da chamada lei de cotas.

Lei de cotas

Um dos principais motivos da ampliação de oportunidades para os PDDs foi a promulgação da Lei de Cotas em 1991, criada com o intuito de inserir portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho. “Houve um crescimento muito grande nas contratações decorrentes das fiscalizações efetuadas pelos órgãos públicos”, conta Teresa.
A lei – efetiva somente a partir de 1999, quando foi regulamentada – considera pessoas com deficiência física, auditiva, visual, intelectual ou múltipla e se aplica apenas à empresas com mais de 100 funcionários. No entanto, não basta só ter uma deficiência para poder ser incluído na cota; é necessário que a deficiência se enquadre dentro do que é especificado na lei. Por exemplo: alguém que é surdo de um ouvido só não é beneficiado pela lei, porque ela contempla apenas quem tem perda a partir de 41 decibéis em ambos os ouvidos.

Onde estão as oportunidades?

De acordo com Teresa, na área comercial, a Projeto RH tem tido demanda de profissionais com deficiência para atuarem em vendas de produtos, principalmente em ambientes internos. Em termos geográficos, as capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Brasília, entre outras, são as que têm maior demanda. “O estado paulista é responsável por cerca de 40% do total das contratações”, afirma ela.
O trabalho de uma PCD na área comercial não difere em nenhum aspecto do de uma pessoa sem deficiência. “Apenas é necessário atentar para as adequações necessárias do ambiente, dependendo do tipo de deficiência,” diz Tereza.
A executiva explica que algumas poucas deficiências podem atrapalhar o desempenho de uma PCD na área comercial. “O trabalho em vendas pressupõe frequente relacionamento interpessoal, visando a exposição verbal sobre os produtos. Assim, uma pessoa com limitação para se expressar verbalmente poderá ter muita dificuldade para realizar uma tarefa desse tipo.”
Estas dificuldades podem ser decorrentes de um problema auditivo ou de algum outro tipo de deficiência que comprometa a fala, como sequelas de um AVC. “Além disso, se a atividade envolver intensa movimentação física, com visitas externas, alguém com mobilidade reduzida poderá encontrar algumas dificuldades, embora não seja impeditivo.”
O administrador José Braga, 49, é um exemplo bem-sucedido de como as deficiências não impedem a realização de um bom trabalho em vendas. Atual gerente de contas de uma grande empresa nacional de soluções integradas, ele ficou paraplégico há sete anos.
“O mercado realmente está favorável para nós, porque não há um número suficiente de deficientes qualificados para suprir a demanda.” Segundo ele, os surdos são os que têm mais oportunidades, seguido dos cegos e dos cadeirantes.
Ele destaca a importância dos estudos para não só conquistar uma vaga, como também se destacar no mercado. “Ter 2o grau completo e dominar a informática é o mínimo para conseguir um emprego legal.”

Dicas

Em primeiro lugar, a diretora da Projeto RH aconselha as PCDs interessadas em ingressar na área comercial a avaliar se gostam de estar em contato permanente com pessoas, de falar, se expor e de estar constantemente submetidas à pressão por resultados. “A motivação é muito importante, pois ela terá que lidar com frustrações que são inerentes à área comercial.”
O gerente de contas recomenda aos iniciantes que façam um curso de vendas antes de começar a trabalhar. “Não dá para pegar uma pasta e sair. Tem que aprender a técnica para saber como chegar no cliente, conduzir e fechar um negócio.” E, depois disso, nunca mais parar de estudar. “A gente sempre acha que já sabe tudo, mas todo dia descobre um jeito novo de vender.”
Teresa aconselha os interessados a buscar vagas em segmentos da área comercial com os quais se identifiquem. “Às vezes, começar por uma atividade que envolva vendas por telefone pode ajudar a pessoa a ir desenvolvendo gradativamente suas habilidades para, depois, partir para a venda pessoal.”
Braga confidencia que nunca avisou os clientes antes de uma reunião que era cadeirante. “Isto sempre foi um elemento surpresa, impactante. E, até hoje, esse impacto foi positivo, porque é um ótimo quebra-gelo. Primeiro deixo todos à vontade com a situação, depois falo de negócios,” finaliza.

Fonte: http://www.projetorh.com.br

DEFICIENTE ALERTA foi criado para orientar,educar,protestar e ajudar todos com deficiência. www.deficientealerta.blogspot.com

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